A cozinha é das divisões que mais exigem numa remodelação. Junta água, esgoto, eletricidade, ventilação e, muitas vezes, gás. Tudo isto num espaço que se usa todos os dias. Por isso, o que se decide antes da obra conta tanto como a obra em si.
Neste guia explicamos o que pensar antes de começar, sobretudo em apartamentos de Lisboa e arredores, onde muitos prédios têm décadas de uso.
Comece pela forma como usa a cozinha
Antes de escolher cores ou materiais, pense na rotina da casa.
- Quantas pessoas cozinham ao mesmo tempo?
- Cozinha todos os dias ou sobretudo ao fim de semana?
- Precisa de espaço para refeições na própria cozinha?
- Onde vai guardar loiça, tachos, mercearia e pequenos eletrodomésticos?
- Há crianças ou pessoas com mobilidade reduzida em casa?
As respostas mudam o desenho. Uma família numerosa precisa de mais bancada livre e mais arrumação. Quem vive sozinho pode ganhar com uma cozinha compacta, aberta para a sala.
Uma regra prática: manter próximos o lava-loiça, a placa e o frigorífico. Evita passos inúteis. E deixe bancada livre entre a placa e o lava-loiça. É aí que se trabalha.
Mudar a disposição: o que é fácil e o que não é
Mudar móveis de sítio parece simples. Mas cada ponto de água, esgoto e exaustão tem um caminho dentro das paredes e do chão.
- Lava-loiça e máquina da loiça: precisam de esgoto com inclinação. Afastá-los muito da prumada (o tubo vertical do prédio) pode obrigar a levantar o pavimento ou a criar um estrado.
- Exaustor: funciona melhor com saída para uma conduta própria ou para o exterior. Mudar a placa para uma ilha ou para outra parede pode complicar essa saída.
- Gás: qualquer alteração à instalação deve ser feita por técnico habilitado e verificada antes de voltar a ser usada. Confirme os requisitos com o seu fornecedor de gás ou com uma entidade inspetora.
- Eletricidade: forno, placa de indução e máquinas pedem circuitos próprios. Em casas antigas, a instalação e o quadro elétrico podem não estar preparados para a nova carga.
Se o objetivo é simplificar a obra, manter os pontos de água e esgoto no mesmo sítio costuma ser a opção com menos imprevistos.
Abrir a cozinha para a sala
Muitas pessoas querem juntar cozinha e sala. Pode ser uma ótima solução, mas há perguntas a responder primeiro.
- A parede é estrutural? Em muitos prédios antigos de Lisboa, paredes interiores ajudam a suportar o edifício. Só um técnico pode confirmar, depois de ver o local. Explicamos porquê no artigo sobre obras em prédios antigos.
- É preciso comunicar à câmara? Depende do tipo de intervenção. Mexer na estrutura tem exigências diferentes de uma simples troca de móveis. Veja o guia sobre licença para obras em casa e confirme sempre com a câmara do seu concelho.
- Fumos e cheiros: numa cozinha aberta, um bom exaustor deixa de ser opcional.
- Gás e ventilação: em cozinhas com aparelhos a gás há regras de ventilação a cumprir. Confirme com o técnico responsável pela instalação antes de decidir.
Materiais que aguentam o dia a dia
A cozinha leva com água, gordura, calor e pancadas. Escolha os materiais a pensar nisso, não só no aspeto.
- Bancada: pedra natural, compósitos e laminados reagem de forma diferente ao calor, às manchas e aos riscos. Peça amostras e pergunte como se limpam.
- Pavimento: deve resistir à água e ser fácil de lavar. Em prédios com soalho antigo, convém avaliar o estado do piso antes de colocar materiais pesados.
- Parede atrás da bancada: cerâmica, vidro ou a própria pedra da bancada facilitam a limpeza.
- Móveis: atenção às caixas junto ao lava-loiça e à máquina da loiça, onde há mais humidade. Boas ferragens notam-se ao fim de alguns anos.
- Iluminação: luz geral no teto e luz de trabalho por baixo dos armários superiores. Assim não cozinha na sua própria sombra.
Se quiser ajuda a comparar opções, veja o que fazemos em interiores e acabamentos.
Medir bem antes de encomendar
Muitos problemas numa cozinha nova vêm de medidas tiradas cedo demais.
- Meça paredes, janelas, portas, pilares e o pé-direito.
- Verifique se as paredes estão no esquadro. Em casas antigas, raramente estão.
- Escolha os eletrodomésticos antes de desenhar os móveis e confirme as medidas reais.
- Preveja espaço para abrir as portas do forno, do frigorífico e da máquina da loiça sem chocarem.
- Encomende a bancada só depois de os móveis estarem montados, com medição no local.
Uma bancada de pedra cortada com medidas erradas é dos erros mais difíceis de corrigir.
A ordem dos trabalhos
Uma remodelação de cozinha segue, em geral, esta sequência:
- Projeto e escolha de materiais e eletrodomésticos.
- Remoção da cozinha antiga e demolições.
- Canalização, esgotos, eletricidade e, se existir, gás.
- Regularização de paredes, tetos e pavimentos.
- Revestimentos de chão e paredes.
- Montagem dos móveis.
- Medição e colocação da bancada.
- Eletrodomésticos, torneiras, iluminação e remates.
Cada fase depende da anterior. Quando a mesma empresa faz o projeto e a obra, é mais fácil garantir que nada avança antes do tempo. É assim nas nossas remodelações chave na mão.
Viver em casa sem cozinha
Se vai continuar a morar na casa durante a obra, prepare-se.
- Monte uma cozinha provisória noutra divisão: frigorífico, micro-ondas e uma placa portátil.
- Combine com antecedência os cortes de água e eletricidade.
- Avise os vizinhos. O Regulamento Geral do Ruído (Decreto-Lei n.º 9/2007, artigo 16.º) limita as obras no interior de edifícios de habitação aos dias úteis, entre as 8 e as 20 horas. Confirme também o regulamento do seu condomínio.
- Proteja o resto da casa do pó, sobretudo se a cozinha for aberta para a sala.
Resumo
Uma boa cozinha começa no papel. Pense na rotina da casa, perceba o que custa mudar água, esgoto, gás e exaustão, confirme se há paredes estruturais e escolha materiais que aguentem o uso diário. Meça com cuidado e respeite a ordem dos trabalhos. Se está a pensar remodelar a cozinha em Lisboa ou arredores, fale connosco e peça um orçamento.

